Estudo de caso 02: Madero

21 jun, 2020 | Estudos de Caso | 0 Comentários

O posicionamento que vem derrubando o gigante do “melhor hambúrguer do mundo” À seguir, ponto a ponto, as tendências que deram ao posicionamento desta empresa do interior do Paraná uma das mais desastrosas histórias da crise.

1- Personalidade:

Empresas personalíssimas tendem a ter um posicionamento que é uma extensão da personalidade de seus donos. isso, por si só, é um potencial que pode ser bom ou ruim, mas sempre arriscado, pois depende sempre do comportamento e personalidade de uma só pessoa. No caso do Magazine Luiza, funcionou bem. No da Madero, não. Após se envolver em diversas declarações polêmicas, Júnior Dursky se vê obrigado a pedir desculpas cada vez mais constantemente para tentar salvaguardar o apreço dos consumidores que abandonaram a marca.

Quando não concordamos com a postura de alguém nossa tendência é combativa e depreciativa.

2- Referência de lado:

Pessoas querem que marcas se posicionem politicamente mas só se for de acordo com sua vertente política. Hoje estamos em uma situação polarizada: as declarações e apoios do dono da empresa o colocaram em um lado bem claro da polarização. As pessoas, em geral, não se importam em consumir de alguém que não tem o mesmo posicionamento que o seu, mas ninguém se sente confortável em consumir de alguém que se tornou uma REFERÊNCIA do lado oposto ao seu, são coisas distintas.

Na sociedade de consumo, consumir é posicionar. Quando a marca se torna referência de um lado que não gostamos, não queremos nos posicionar ao consumi-la, então não consumimos.

3- Autopromoção:

Por que eu deveria ir ao Madero? Porque ele tem o melhor hambúrguer do mundo. Ah é? E quem disse isso?

O Madero!

Ah ta.

Cada vez mais os humanos buscam a verdade. Geralmente a autopromoção passa a ideia totalmente oposta da verdade. Toda barraca de feira tem o tomate mais maduro.

4- Materialidade:

Mais uma vez o slogan da marca atrapalhou. Madero vende HAMBÚRGUER e só. Vende com o diferencial de ser AUTOPROCLAMADO “o melhor hambúrguer do mundo”. Hambúrguer existe em todo lugar: quando você compete por algo MATERIAL você concorre com TODOS. No momento da crise, isso pesou, pois a consideração de compra passa a ser, muitas vezes, puramente financeira. Geralmente o melhor hambúrguer do mundo é a nossa receita ou a receita de um amigo. Em uma sociedade de consumo, humanos consomem para ser e não para ter. A experiência de ser visto na unidade Madero era mais social do que gastronômica. Com o fim do físico a gente pondera o consumo buscando mais a experiênca. Se você não vende uma experiência impossível no momento, o que fazer quando o produto não é mais tão desejado? 5- Frivolidade:

Vamos combinar que um hambúrguer de 46 reais é caro. Vamos combinar que o Madero não trabalha a base da Pirâmide de Maslow e vende produtos supérfluos que só nos ganham quando nos conquistam emocionalmente de uma forma MUITO forte e clara. A marca é estéril, fria e estoica e nada afetiva. Sem pontos de contato emocionalmente relevantes. É muito difícil criar conexões (sobretudo no brasil) desta forma. Ao primeiro sinal de crise, é o primeiro produto do qual desistimos.

Sem conexão emocional o preço se torna muito mais aparente para os humanos e o seu produto se torna absolutamente supérfluo.

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